Comunicação de acidente de trabalho: o que profissionais da saúde precisam saber

Comunicação de acidente de trabalho: o que profissionais da saúde precisam saber
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Os profissionais da saúde exercem funções essenciais à sociedade, mas sua rotina é marcada por riscos constantes que podem afetar tanto a saúde física quanto a psicológica. Acidentes com materiais perfurocortantes, contato direto com agentes biológicos e situações de estresse extremo fazem parte do cotidiano desses trabalhadores.

Nesses casos, a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é o instrumento legal que assegura a proteção dos direitos previdenciários e trabalhistas. Contudo, não é raro que empregadores omitam ou até mesmo se recusem a emitir esse documento, prejudicando o trabalhador.

Entender como funciona a CAT e quando ela deve ser registrada é fundamental para assegurar que nenhum direito seja perdido.

O que é a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)?

Nesses casos, a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é o documento oficial que registra formalmente acidentes de trabalho e doenças ocupacionais junto à Previdência Social, assegurando a proteção dos direitos previdenciários e trabalhistas.

O registro da CAT tem como principais finalidades:

  • Garantir que o acidente seja reconhecido pelo INSS
  • Permitir o acesso a benefícios previdenciários como auxílio-doença acidentário e aposentadoria por invalidez
  • Assegurar a estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno do afastamento
  • Viabilizar a emissão de laudos e o acompanhamento médico adequado

Sem a CAT, o trabalhador pode encontrar sérias dificuldades para comprovar a relação entre sua lesão ou doença e a atividade profissional, comprometendo o acesso a direitos fundamentais.

Quais situações exigem o registro da CAT na área da saúde?

Por se tratar de uma atividade de alto risco, a área da saúde apresenta diversas situações que exigem o registro da CAT. Alguns exemplos comuns incluem:

  • Acidentes com agulhas, bisturis e outros objetos perfurocortantes
  • Contaminação por vírus, bactérias e fungos durante o atendimento a pacientes
  • Acidentes de trânsito ou quedas durante deslocamentos em ambulâncias ou veículos de emergência
  • Doenças ocupacionais como LER/DORT, transtornos psicológicos e síndrome de burnout

Sempre que houver suspeita ou confirmação de que o dano à saúde tem relação com a atividade profissional, a CAT deve ser registrada.

Quem é responsável por emitir a CAT e como ela deve ser registrada?

A legislação determina que o empregador é o responsável principal pela emissão da CAT. O documento deve ser registrado imediatamente após o acidente, mesmo que não haja afastamento do trabalhador.

Caso a empresa se recuse ou omita o registro, a CAT pode ser emitida por outras pessoas ou entidades, como:

  • O próprio trabalhador acidentado
  • O sindicato da categoria
  • O médico assistente
  • Autoridades públicas

O registro pode ser feito de forma eletrônica, diretamente no site ou sistema da Previdência Social, e deve conter informações completas sobre o acidente, o ambiente de trabalho e as lesões sofridas.

O que fazer quando a empresa se recusa a emitir a CAT?

Negar ou omitir a emissão da CAT é uma prática ilegal e prejudicial ao trabalhador. Quando isso ocorre, existem alternativas para garantir o registro:

  • Procurar o sindicato da categoria para que faça a emissão
  • Solicitar o registro diretamente no INSS
  • Denunciar a omissão ao Ministério do Trabalho
  • Guardar provas do acidente, como fotos, vídeos, declarações de testemunhas e laudos médicos

Em situações de maior gravidade ou em que haja resistência por parte da empresa, é recomendável buscar imediatamente orientação jurídica especializada.

Quais são os direitos garantidos ao trabalhador após o registro da CAT?

Com a CAT devidamente registrada, o trabalhador da saúde tem assegurados diversos direitos, entre eles:

  • Recebimento de benefícios previdenciários, como auxílio-doença acidentário e aposentadoria por invalidez
  • Estabilidade no emprego por pelo menos 12 meses após o retorno das atividades
  • Recolhimento do FGTS durante o período de afastamento
  • Possibilidade de indenização por danos morais e materiais, especialmente quando há omissão ou agravamento das condições que causaram o acidente

Essas garantias buscam reduzir o impacto financeiro, social e psicológico causado pelo acidente ou doença.

Como um advogado pode ajudar em casos de acidente de trabalho na saúde?

O advogado especializado em direito trabalhista e previdenciário pode atuar em diversas frentes para proteger o profissional da saúde, como:

  • Garantir o registro da CAT quando a empresa se recusa a emitir o documento
  • Solicitar judicialmente o reconhecimento do acidente e a concessão dos benefícios previdenciários
  • Acompanhar perícias médicas e administrativas para assegurar que o laudo reflita a realidade do trabalhador
  • Ingressar com ações de indenização por danos morais e materiais, quando cabíveis

O suporte jurídico adequado aumenta consideravelmente as chances de o trabalhador ter seus direitos reconhecidos e efetivamente cumpridos.

A comunicação de acidente de trabalho é mais do que uma formalidade burocrática. Para o profissional da saúde, ela representa segurança jurídica, acesso a benefícios e preservação da estabilidade no emprego.

Portanto, se você sofreu um acidente ou desenvolveu uma doença em razão do trabalho e a empresa se recusa a registrar a CAT, saiba que existem caminhos legais para garantir seus direitos. Buscar orientação jurídica é a forma mais eficaz de assegurar que a lei seja cumprida e que sua integridade física, psicológica e financeira seja preservada.

Detalhes
Data
25 de agosto de 2025
Categoria
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